terça-feira, 13 de dezembro de 2011

NATAL DOS POBREZINHOS


Tinha 50 anos e as pernas trémulas. O choque trespassara-o de um golpe e só o instinto o mantinha de pé. Finalmente percebia tudo. Pediu a capa do super homem saiu-lhe um pijama de flanela, pediu emprego veio uma carga de trabalhos, pediu casa restou-lhe um quarto, pediu amor chegou-lhe a traição, pediu o segredo dos deuses, só para os deuses foi segredo. O pai natal não existia. Toda uma vida a escrever cartas para o fundo de uma gaveta dos correios. Toda uma vida enganado. Por tantos. Convocou forças, escondeu fraquezas, inspirou fundo e decidiu: - A partir de hoje nunca mais como a sopa. E que me venham com a história do homem do saco que eu digo-lhes como é.

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