sábado, 29 de setembro de 2012

ESPELHO MEU


Tenho uma mente conspurcada e não foi por me ter atirado ao Tejo
Defendo com galhardia aqueles que quero enterrar
Movo-me de forma isenta, em função dos meus interesses e ódios pessoais
Sou a favor de ser contra, sou contra ser a favor, mas não sou contra o favor
Minto para inventar verdades e digo verdades que são mentira
Defendo o indefensável e ataco o inatacável
Adivinho cenários improváveis porque são os que desejo
Mudo constantemente de opinião porque tenho um intelecto superior
Chamo sensatos aos que deixam que lhes metam as mãos nos bolsos
Só durmo quatro horas por noite. É o bastante para repôr os níveis de veneno
Gosto muito de ler. Sobretudo extractos bancários chorudos
Não tenho aspirações políticas. E não as terei nem que cristo desça à terra
E vejo piquenicões, mas não manifestações
Concluíndo, sou um grande vendedor de peixe que conseguiu transformar a televisão numa lota.

Espelho meu, sei que sabes quem sou eu
Mas esconde este segredo
É assim que saco o meu
A pregar tão triste credo

sexta-feira, 28 de setembro de 2012

IDE P´RÓ XADREZ


. Naquele jogo de xadrez não se podia dar xeque ao rei. Estava inibido 

. Aprendeu depressa uma das mais perigosas jogadas no xadrez; nunca apanhar o sabonete

. O xadrez político é um jogo onde só se comem peões

. Zangado com o rei, o bispo começou a dizer verdades. Acusaram-no logo de não andar lá muito católico 

. Naquele tabuleiro mandava a rainha. Era xadrez alemão

. De um lado estava o rei com sua corte
  Do outro estavam só pobres peões
  Estalou uma guerra de tal sorte
  Que foi o rei mais a corte aos trambolhões  

terça-feira, 25 de setembro de 2012

NERRÔ, VIEN ICI!


- Alô, Arlete? C'est toi? Ici, c'est Olímpiá qui parle. Quoi? Tu ne pesque rien de que je dis? Je vais parler doucement, vá bien? Tu ne vas pas croyé ce que m'est sucedé. Je ne sais porquoi, mais je m'ai oublié completement de la langue portugaise e je parle uniquement le français. Je pense qu' a été un mosquite que m'a piqué dans le voyage, mais je ne tiens pas lá certesse. Quoi? Oui, j'allais à Espagne mais, en Benidor, j' ai apanhé une excursion en conte et j'allais à France, avec mon nerrô. Oú? À Bayonne qui est lá terre de la piadole; achéte meies bayonne qui vont de lá ponte de le pié à lá ponte de la mone. Tu connais? Quoi? Oui, j'ai amé bien la France mais c'est une terre avec un grand probleme. Il n´y a pas de locales por donner la mije, donc tu cherches, tu ne vois rien e tu restes à rasque. D' une foie est apparu un gendarme qui m'a apanhé avec les cueques dans les mains. Il m'a dit:
- Madame, vous ne pouvez pas pissé dans le fontanaire. Je tiens de vous multer.
Mon nerrô n'a pas aimé le visage de l'homme, a alçé la pate e lui a donné une mije sur la bote. Le gendarme a tiré le cassetête pour acerté le passô à nerrô. Je l'ai dit pour arretêr, mais il m'a repondu:
- Tais toi, vache!
- Vache vochê. J' avais cheguê por lui.
Mon nerrô s' est mis fourieux e lui a donné une grande trinque dans ses penduricalhes. Le gendarme a grité:
- Arralhô!
Je pense qu'il avait origénne portugaise, mais je ne sais pas bien. Aprés, le gendarme a assenté une trolité dans la tête de nerrô qui a commencé a dancer le can can. Je n'avais pas outre solution que donner un croque à rambô au gendarme, qui a commencé aussi a dancer le can can, avec mon nerrô. Ils on fait un pair si joli qu'au final les perssonnes on batté tante palmes, qu'ils tenaient de faire trois encores.
Mantenaint je te vais dire la meilleure parte; j'ai dans le frigo une bouteille de champagne et un pedaçe de foie-grá que j'ai afanné dans le retour, pour tirer la barrigue de miséres avec toi.
An moment Arlete, qui le nerrô est passé avec une chose dans la bouche.
- Ó estepor, se num me trazes aqui o foie-grá imediatamente, palavra de honra que te enfardo cu cassetete que afanei ò polícia. O senhor me perdoe.
- Olha, olha, afinal já me passou o efeito da França...

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

O MEU TOINO, SIM...



- Ó filha, num te acredites, qué tudo uma chuchadeira. O zé carcunda foi lá e nada. Quê? Não filha, fizeram-le o milagre, só que em bez de le desaparecer a carcunda desapareceu-le a carteira. Cheira-me que aquilo é gente que eles foro buscar às finanças e depois andam por aí a armados em salbadores. Milagres fazia o meu toino, esse sim. Uma ocasião iamos no carro a descer D. Pedro V e um senhor entrebadinho numa cadeira de rodas meteu-se a atrabessar a rua. Olha filha, o sinhor biu o toino, lebantou-se e começou logo a andar. E munto depressa. O toino até le deu uma grande cacetada na cadeirinha para ele perder o hábito. Lembro-me perfeitamente porque, depois deste milagre, o toino foi ó neca mecânico e até aprobeitou para dar uma bista de olhos ós trabões. Outro milagre a sério foi o que ele fez ó meu nero. Tinhamos cá a palmira peixeira e o home. O toino foi à dispensa buscar a pata de presunto para botar na mesa e só encontrou o ossinho. Nem perguntou mai nada. Foi direito ó meu nero, agarrou-o no entre patas e apertou cum tanta força que deu-se o milagre. O meu nero falou. Disse " Num fui eu ". Quê? Ó milher, tou-te a dizer que disse! Baixinho, mas disse. E por acaso até num foi. O toino é que se tinha esquecido que já tinha mamado a patinha num sábado à noite a ber a bola. Depois disso, o meu nero nunca mais boltou a falar. Ficou traumatizado. Segue-se que filha, pode haber quem faça milagres iguais, mas milhores cus do toino num conheço. Quem? Não filha, esse tirou o curso de doutor num aninho mas num fez milagre ninhum. É munto estudioso. E o quem? O da papelada dos submarinos? Não filha, isso num foi milagre, foi truque. Milagre a fazer-me lembrar os do toino foi o do senhor presidente. Quando? Quando beio um bendabal que le destapou o tilhado da marquise. As chapas biero por ali abaixo e apanharam uns amigos dele que andabo por perto. Quais amigos? O loureiro e o costa que trabalhabo no banco, lembras-te? O sinhor presidente, que estaba cum eles, num tebe um arranhão. Foi um milagre daqueles. Agora filha, bai ber o luís de matos. Num sabes quem é? É aquele rapaz da política. Quase tão bom como o senhor doutor passos.

Ai estais aí, meus amigos? Nem tinha dado fé. Esta arlete põe-se a cunbersar e nunca mais se cala. Tende paciência, falo cunbosco pá próxima que agora num posso. Bou fazer a mala que amanhã, eu mais o meu nero, bamos para benidor. Tamém temos direito a uns diitas de papo pó ar, num é?

Recebei beijos descansados desta bossa Olímpia.

COÇAMOS



Meus amigos,

Em face da deterioração das condições sociais e económicas do país, provocada pela desastrosa acção deste governo, venho comunicar-vos que apresentarei com sentido patriótico, uma moção de censura ao próximo orçamento de estado. Não podemos continuar a aceitar as mentiras de um governo que nos empobrece de dia para dia. Não tenhamos dúvidas que, por consequência das suas políticas, já quase não existe classe média em Portugal. Longe de ser leviana, esta afirmação sustenta-se no critério que distingue de forma insuspeita as classes sociais no nosso país; a forma de coçar os testículos, vulgo, tomates.
A classe alta nunca se preocupou com tal tarefa porque sempre teve quem lhos coçasse. Os mais desfavorecidos coçam-nos despreocupadamente por fora das calças, confiando, na maioria das vezes, o esforço ao indicador e ao polegar. Já a classe média sempre os coçou discretamente por dentro das calças, isto é, com as mãos nos bolsos. Ora meus amigos, o certo é que há muito não vemos ninguém coçar por dentro. Vemos quem passe a vida a coçá-los, quem os passe por cima de quase tudo e até quem só coçe para dentro, mas não é a mesma coisa. Por isso, meus amigos, é com firmeza que vos digo que temos de mudar de rumo, que temos de recuperar o país, que temos, enfim, de voltar a coçá-los por dentro. Como sabem, toda a minha vida os cocei por fora porque sempre estive ao lado do povo. Cheguei a coçá-los de punho erguido em muitas manifestações da classe operária. De uma vez, em que tinha as mãos ocupadas, fui até coçado por uma camarada, num gesto de solidariedade que muito apreciei. Os tentáculos da injustiça, porém, também a mim chegaram; não faltam os que me acusam de nunca ter coçado porque só coça quem tem. A esses quero apenas dirigir uma singela pergunta: se acaso não os tivesse, poderia andar agora a criticar precisamente o mesmo que o meu antecessor fez?
Camaradas, é hora de mostrar que os temos no sítio, é hora de pôr os dos outros de molho, enfim é hora de nos enchermos, aliás, de os enchermos.

CHEGOU A HORA DE COÇAR POR FORA
CHEGOU A HORA DE COÇAR POR FORA

HÁ SÓ UMA SOLUÇÃO, AUMENTAR A COMICHÃO
HÁ SÓ UMA SOLUÇÃO, AUMENTAR A COMICHÃO

quinta-feira, 13 de setembro de 2012

NAÇÃO À TACADA


- E com todos os extras!
- Ai sim?
- Banheira de hidromassagem, vídeo porteiro a cores, som ambiente
- Maravilha!
- E lambe parquê e porta fichê e um rico WC
- Mas é longe
- Com esta auto estrada à porta?
- E carro?
- Ó meu amigo, eu tenho amigos no banco
- E eles emprestam para a viatura?
- E para a casa e para a mobília
- E o senhor consegue?
- Se consigo? Com jeitinho ainda vai de férias 
- Não me diga
- E quando quiser vender a casa é canja

- Quero que me venda a casa
- Está um bocadinho difícil
- Mas quando lha comprei você disse que era canja 
- Sabe que agora não faltam
- Esta não tem todos os extras?
- Mas é longe
- Então e a auto estrada?
- Tem portagens...
- Que andem pelas secundárias
- Não podem
- Porquê?
- A gasolina upa, upa...
- Então como vou pagar os empréstimos que você me arranjou?
- Arranje-se
- Já percebi. Vou queixar-me da sua imobiliária
- Faliu
- Então onde é que você trabalha?
- Agora não trabalho. Jogo golfe.

quarta-feira, 12 de setembro de 2012

DICIONÁRIO DO OTÁRIO



AUSTERIDADE - carga de trabalhos inflingida por aqueles que provocaram o problema àqueles que eles julgam que terão de o resolver.

COMBATE AO DESEMPREGO - poupança concedida ao capital em taxas e em indemnizações por despedimento.

EMPENHAMENTO - esforço estoico desenvolvido pelos actuais políticos portugueses no sentido de orientarem o povo em direcção ao prego.

NA DEFESA INTRANSIGENTE DOS INTERESSES DA NAÇÃO - expressão muito querida dos actuais políticos. Deve ler-se Na defesa intransigente dos interesses da Facção.

O NOSSO POVO CONTINUA A DAR SINAIS DE GRANDE SENSATEZ - expressão política inspirada na tauromaquia, para significar que não há nada que chegue a um touro manso.

CONSULTOR GOVERNAMENTAL - homem que gosta de ver o povo em tronco nú. Passa a vida tirar-lhe a camisa.