terça-feira, 14 de agosto de 2012

CHAMADA DA OLÍMPIA




Meus amigos, tou efusiba; comprei um busto do senhor doutor passos e outro do senhor doutor portas que são um encanto. Ficam bem que bem em cima da cristaleira, à frente do frade das caldas e do menino a mijar que o meu toino trouxe do senhor de Matosinhos. Bem bistas as coisas o menino num fica nada atrás do frade, que cu meu toino era tudo sobre o grande. Por falar em grande, aqui há atrasado fui ber o senhor presidente que beio cá inaugurar. Num sei bem o quê mas num importa porque ele também num sabia. Foi uma cerimónia muito bonita e correu tudo muito bem. O senhor presidente fez um discurso lindo. Tão lindo que à medida que falaba foi-lhe crescendo uma expressão de grande felicidade. Estaba tão feliz que quando terminou até tiberam de o ajudar a sentar-se. A seguir bi uma senhora a sair ligeira de dentro do palanque onde ele tinha falado. Num percebi bem por que é que ela estaba lá metida mas, se calhar, foi arranjar algum microfone, num sei. O único senão foi o estepor do meu nero. Mal acordou no fim do discurso, atirou-se a uma perna do senhor presidente e começou logo a treinar, como na almofada. Felizmente o senhor presidente fez o habitual; num deu por nada. A senhora doutora maria é que num estebe com meias medidas; acertou-le um enfesto no entre patas que ele ainda hoje camba um bocadinho. Agora sempre que os bê na trebisão apoia-se com cuidado nas patitas de trás e com as da frente faz um gesto que aprendeu com um cão de Fafe. Às bezes bou dar com ele muito quietito a olhar para a almofada e a suspirar. É das saudades. Sou sincera, faz-me pena bê-lo tão mole. Até já me lembrou de o lebar ao corcunda dos aliados que plastifica documentos, a ber se ele pode dar-le um jeito. Ou então dou-le a medicação cu meu toino tomaba para a tensão. Só que aquilo é forte e às tantas o estepor dá-me conta das almofadas e a seguir ainda me bai ós bustos. Tenho de ber a melhor maneira.

Recebei beijinhos grandes desta Olímpia amiga.

Ó nero, anda ber a trebisão que bai começar a lasse

sexta-feira, 10 de agosto de 2012

CHAMA A OLÍMPIA


- Tá queto nero! O raio do cão passa a bida a treinar na almofada. Faz-me lembrar o meu toino que andaba sempre co maçarico aceso. Se calhar era por ser soldador. Aquilo é que era um home. De certezinha que foi por causa dele cos das escabações inbentaram o nome de homes erectus. Uma ocasião, o senhor me perdoe, até tibe de le acertar um pontapé no abono pó sossegar. As minhas bizinhas, essas roíam-se de inbeja porque os homes delas só queriam trebisão; eram homes sapiens. Uma delas disse-me por graça que eu tinha muita sorte porque o maçarico do meu toino até debia serbir para dobrar meadas. E ela sabia do que falaba porque passaba a bida a fazer tricô e a pedir ó meu toino para le lebar os nobelos.
Infelizmente o meu toino era como uma mula e só fazia o que queria. Um dia abisei-o:
- Toino, olha que tu atestaste nos rijões. Ele, tadito, nem me oubiu e pôs-se logo ós pinchos. Taba tão desbairadinho que eu saí debaixo para le ir fazer um chã de hipericão e ele nem deu por nada. Quando boltei já tinha parado e estava muito tesinho a olhar para mim com os olhitos esbugalhados. Ao princípio ainda pensei que tibesse a reinar e dei-lhe um croque na tola. Mas quando começou a botar espuma e a ficar parecido com o senhor presidente, dei fé que tinha entregue a alma. Tadito, mesmo assim ainda tinha o maçarico aceso. Muita falta me fez. E à bizinha tamém que nunca mais a bi fazer tricot. Agora, se me dão licença, bou matar saudades pá trebisão a ber a chama olímpica. Faz-me lembrar o maçarico do meu toino.

Recebei beijinhos inflamados desta Olímpia amiga.

Tá queto nero! O senhor me perdoe se num te acerto já um pontapé no abono.

quinta-feira, 9 de agosto de 2012

JUGOS OLIMPICOS




Minou, desviou e quando deu para o torto foi para África. Era campeão do salto à vara

Arrancou, correu e comprou um fato, uma camisa e uma gravata a preços imbatíveis. Ganhou a prova do triplo saldo

Antes da corrida prometeu sucessos e vitórias. No final ficou em último. Atrás do coxo

Arrecadou todo o ouro disponível. Venceu destacado a prova do lançamento de impostos

Mesmo insolvente candidatou-se a uma autarquia e chegou a vereador. Foi um bom lançamento do teso

Remou para atingir todas as metas. Foi de vela

O elefante apoiou as patas nos blocos, fixou a meta mas não partiu. Deixou correr o marfim

Foi manietado, amordaçado e levado para fora do estádio pela brigada anti terrorista. Nem tempo teve para dizer que só queria dar o tiro de partida

Nos oitavos de final eliminou os subsídios. Nos quartos eliminou os benefícios fiscais. Nas meias eliminou os feriados. Na final correu sózinho e perdeu

Aquela nadadora nunca usara uma gilete nem sabia o que era um creme depilatório. Ganhou facilmente os 100 metros buços

Era um bêbado que adorava jogos olímpicos. Ouviu dizer que tinha muitas provas.

quarta-feira, 8 de agosto de 2012

PASSOS PERDIDO



Confiante vai pedrito
Para as danças de salão
Exibir com gabarito
Esse seu tão grande dom

Desliza com passo fino
Rodopia no verniz
Foge-lhe o pé, faz o pino
Bate no chão com o nariz

Que lhe incha num repente
E fica descomunal
Já não é nariz de gente
É fardo de Portugal

Mas pedrito não desiste
Faz-se ao tango com destreza
Tropeça, cai e insiste
Tira o pão da nossa mesa

Passa a perna, troca o passo
Dança só com os amigos
Embalados no compasso
Passam ao lado dos perigos

Neste baile de indecência
A dança é cega e tacanha
E o povo arrasta a existência
Ao som que vem da Alemanha

sábado, 4 de agosto de 2012

EI SANSÃO


- Sou um gajo isento.
- Tu? E quando meteste a cunha para arranjar o tacho?
- Estou a dizer-te que sou isento
- E quando meteste os filhos dos teus amigos?
- Continuo a dizer-te que sou isento
- E quando andaste a cortar nos salários dos outros?
- Já te disse que sou isento
- Mas és isento como, pá?
- Sou isento dos cortes na administração pública.

sexta-feira, 3 de agosto de 2012

FDP



Farto De Provocações decidi vir a este espaço para repor a verdade. Fui Desvalorizado Precocemente, Fui Depreciado Públicamente, Fui Denegrido Propositadamente. Acusaram-me de ser Fanático Das Privatizações, Faminto De Poder, Faccioso Do Piorio. Tais atoardas, porém, vieram para mim de carrinho. E assim andei motorizado até à chegada do Grafiti. Nada me faz correr contra os grafitis, bem pelo contrário. A cidade está repleta deles e ninguém me pode acusar de alguma vez os ter desclassificado. Agora um grafiti a dizer Rio és um FDP entupiu-me o carburador. Inicialmente ainda arranquei para Favorito do Porto, derrapei para Fabuloso da Política e cheguei a guinar para Famoso Do Paddock. Quando me disseram que o verdadeiro significado era Fora Do Porto não me contive, explodi na aceleração e gripei o motor. Quero deixar, no entanto, bem claro que não consentirei que travem a brilhante prova que estou a realizar. Não permitirei que conspurquem a minha imagem, não permiti...
Ai a FDP da pomba que me defecou na lapela. Já não bastava ter calcado há pouco a merda dum FDP dum cão e agora isto. E ainda por cima no dia em que o FDP do Bolhão ardeu. Mas que FDP de azar que eu tenho!
Continuando, sou um FDP, sim, porque sou um Filho Do Porto que tudo tem feito por esta cidade que amo. Tal como amo as escolas e tal como amo os livros. E que me torçam já aqui uma orelha se isto não é verdade.

quarta-feira, 1 de agosto de 2012

VIOLÊNCIA CASEIRA



- Coscuvilheira!
- Matreco!
- Andas a cuscar-me o computador
- Porque andas sempre a espumar-te
- Eu a sustentar-te e tu a chagar-me. Vai mas é trabalhar
- Trabalhar? E tu que fazes?
- Aturo-te que já não é pouco
- Se não fosse eu ainda andavas metido com más companhias
- Ó mulher, põe-te ao fresco e deixa-me caminhar
- Se caminhas a mim o deves
- A ti?
- Sim! Fui eu que te dei essa passadeira
- Pois foste. Com o meu dinheiro
- Não. Com o dinheiro que tirei a tempo daquele banco
- Não metas os meus amigos ao barulho
- Amigos? Chulos queres tu dizer
- Ó mulher, não me irrites
- Cala-te que só dás trabalho
No preciso momento em que o homem se preparava para atirar o código laboral à cabeça da mulher, irrompeu na sala o assessor de imprensa. Com uma fatia de bolo rei e uma revista de moda conseguiu acalmar os ânimos. Aos poucos a paz social voltou a reinar no palácio de Belém. Pelo menos aparentemente.