terça-feira, 22 de maio de 2012

A NÍVEL DE RAÇA...



- Ó mor?
- Diz, mor
- De quem gostas, mor?
- De ti, mor
- Eu também, mor
- De quem mor?
- De ti, mor
A seguir apagou-se a luz. Quando se voltou a acender ele estava a rir-se para uma vaca de louça e ela desabafava: - não passas de um corta pitas...

segunda-feira, 21 de maio de 2012

AVAIJO A TAZA


Onte oubi valar da daza de bordugal. Debo dizer-bos que num bou dagui ali bor gausa duma daza. Adé proque num leba guase nada. Se bocências guerem condar gom a bresenza da binha bezoa num gualguer invento vestibo falem-me do ganeco de bordugal, do garravão de bordugal, ou da biba de bordugal. Da daça nom. Izo é bara zenhoras. Já gondra bordugal num denho nada, gue é derra onde se esdá sembre a fesdejar nem gue a gende num se lembre. E agora para bostrar que sou partio…pretio… partuio…que sou um gaijo que gosda da zua terra, portandos, um partiortra até bou candar o hido. Iróis do bar, nobre ponche...

domingo, 20 de maio de 2012

GULOSICES



Dava ares de panrico. Não passava de um pastel de massa falhada.

Devorou jesuítas, papos de anjo, barrigas de freira e seminaristas. Era gula papal.

As passas mandaram-no à fava. Os pinhões àquela tarte. Vida dura a do pão de ló.

Quando reparou tinha um buraco enorme. Anus horribilis para o bolo rei.

Roubou tantos e tantos doces que acabou preso. Felizmente era só prisão de ventre.

Comeram tudo. Agora só há troika de nós.

sexta-feira, 18 de maio de 2012

ESCRITA CARIATIVA


Caros amigos,
Portugal é por excelência o país da escrita criativa e, sobre isso, não resta a menor das dúvidas. Basta lembrar a escrita de muitas e muitas empresas nacionais que tão brilhantes talentos têm aportado ao panteão da nossa criatividade. A capacidade da subtileza, o esconder mostrando ou o aumentar diminuindo, têm aqui o seu campo de eleição. Tanto é assim que há já quem vote em contabilistas. De igual modo na política se atingem os mais altos padrões da criatividade ao serviço da escrita. Falo-vos do sentimento, do sofrimento e da dor que vertem de verdadeiras pérolas discursivas, que transformam votos em lagostas, animais que tão bem acodem ao pranto de qualquer político. Pois, meus amigos, é assim e se o é, a causa não é outra que eu próprio. Dirão que é arrogância. Não. É com a modéstia a fustigar-me que sou obrigado a assumir a culpa de tanta genialidade. Os meus cursos não têm outro propósito que o vosso sucesso, outra compensação que a vossa felicidade. Inscrevam-se e comprovem-no. Eu cá vos aguardarei de pena afiada.

Deste vosso criativo
Manuel Saquete

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quarta-feira, 16 de maio de 2012

LAMBARICES



Há muitos anos os ovos entraram às claras no castelo. Destronaram a menorquina.

Abriu a torta e atirou-a para cima do colchão de noiva. Foi uma noite de grande aletria.

Nos tempos que correm todos os pasteleiros conhecem a bota de berlim.

Na Rússia não são muito amigos de doces. Só gostam de pudim.

A rabanada de vento ensarilhou-lhe o cabelo mas teve de aguentar. Deus dá nozes a quem não tem pentes.

O passos espirrou inesperadamente. A mesa passou a ter baba de camelo.

segunda-feira, 14 de maio de 2012

ALTAS PRESSÕES, BAIXAS PRESSÕES


- Vou para o 17º e o vizinho?
- Para o 22º, obrigado
- Pois é...
- É...
- Às tantas vai chover...
- Desculpe, não me diga que vamos cair na ladaínha de sempre
- Qual ladaínha?
- Falar do tempo no elevador
- De facto...
- Falemos então de coisas diferentes
- Por exemplo?
- Como vai a sua violência doméstica?
- Muito nublada, com poucas abertas. E a sua?
- Cheia de trovoada
- E os filhos?
- Andam na tempestade
- E não reagem?
- Reagem. Vingam-se nos professores
- E os empréstimos?
- Uma seca.
- Eu cá tenho inundações. De juros
- E no trabalho?
- Sopra um vento que varre tudo. E no seu?
- O vento já me varreu
- E agora?
- Está tudo muito encoberto
- Não vê melhorias?
- Vejo muita precipitação
- Mas dizem que o desemprego é uma oportunidade
- Isso é do nevoeiro
- E levantará?
- Só se for com uma borrasca
- Pois então, bom tempo para si, vizinho
- Igualmente para si, vizinho.

domingo, 13 de maio de 2012

ESTOU NO BANCO MAS NÃO SOU SUPLENTE


O meu nome é crixiano renaldo, trabalho para um banco e tenho problemas de caspa. Por causa do messi. Tudo o que faço é com os pés. E resulta. As mulheres adoram os meus pés. Sobretudo os de meia. E os homens fizeram de mim um símbolo nacional. Perguntei à minha mãe o que era um símbolo nacional e ela respondeu-me que era o dr. jardim ou o hino. Não percebi bem porque não consigo dar tanto espectáculo como o alberto joão e não sei  cantar o hino. Mas prontos, fiquei todo vaidoso e nunca mais me passou. Há quem ache que exagero mas não passo bola. Gosto mais de fintar. Só não me sai bem nas entrevistas mas não há problema; digo que é um espectáculo e prontos. Aqui há atrasado ouvi dizer que o povo português está a passar por sacrifícios e que devo estar solidário. Por acaso não gosto de estar solidário. Gosto mais de ter muita gente à volta. Mas prontos, para mostrar que estou com o povo também vou fazer sacrifícios; quando o meu renaldinho fizer anos em vez de lhe dar um aston martin dou-lhe um porsche que é para ele saber o que custa. Pela saúde da mãe dele. Seja lá ela quem for.