sábado, 23 de janeiro de 2021

PANDEMIA DE DEMAGOGIA

 


Eu sou tão discriminado

Que até me chamam fascista

E ainda sou acusado

De ser xenófobo e racista


Os insultos não bastaram

E sofri um atentado

Com as chicletes que me lançaram

Quase morri soterrado


Sobrevivi, pois claro

À má fé desses garotos

Ensinou-me o bolsonaro

Que ser mártir dá muitos votos


Agora toco piano

De música percebo eu

Dança o preto e o cigano

Neste baile que é só meu


Mas não gosto de calões

Que vivem como mendigos

E que querem os milhões

Das contas dos meus amigos

sexta-feira, 15 de janeiro de 2021

 


Voas,


Podeis eskrebinhar o ke bos digo ké tiro e keda; nas próximas eleições bou botar no estikadinho liveral ké um mimo. Primeiros proke ele é kontra o kunfinamento e eu tamém. É ke num é nada, num é nada, já bai pa 9 meses ke tou kunfinado e só fiz um teste. O presidente fez testes a dar kum pau e anda por aí todo kontente, eu testei a porta do kofre do bizinho e fui logo kunfinado. Num é justo. 

O estikadinho é a favor do merkado libre e eu tamém. Se fossem todos komo ele eu num precisaba de andar ku negócio da brankinha às kostas a fugir da bófia e a mena, a minha garina, podia kuntinuar a atakar no pinhal. Agora a freguesia dela tá toda em kasa a entreter-se sózinha e ela, koitadinha, kom tudo fexado, só le resta ir à missa fazer uns parokianos. Ou entom ir òs komicios kela é uma mulher às direitas mas konbibe kom kualker um. Desde ke pague.


São tantas as saudades da minha mena ke até le bou fazer um poema,


Ò minha mena adorada

Ò luz do meu firmamento

Eu daba-te uma trankada

Mas tou no kunfinamento


Só tu me podes baler

Ò flor da minha terra

Vem depressa pa me ber

E traz kontigo uma serra


Se a serra não houver

Pode ser um pé de kabra

Uma gazua, uma kolher

Ou kualker koisa ke abra


Deste teu e bosso,

Kim da enjecçom (kontra o kunfinamento da naçom)

terça-feira, 12 de janeiro de 2021

quinta-feira, 7 de janeiro de 2021

 


Ora voas a dodos os birologisdas, esbezialisdas e confinados à pinga em geral,


Isdo do vicho esdá a deijar-me danda mas danda borra nas ideias gue já tenho besadelos a marcelo, berdão, a martelo. Bejam lá gue ontem adé zonhei gue bibia num baís onde o goberno valzifigava gurrígulos, onde habia gandidados a bresidende gom 6 azinaduras e onde ò vim de zemana o pezoal era prezo de manhã nos subermergados e à tarde em gasa. Zei dizer gue agordei dão aflidinho a penzar gue era berdade gue tibe de tomar logo a medigazão do dr macieira. Velizmende milhorei mas, belo sim, belo não, hoje mal xiguei ao tasco do tone manco bedi logo a bazina dele gue, num desfazendo, é de estalo. Mata gualguer bixo gue ze le meta à frende e bode-ze domar dodos os dias desde gue num seja mais do gue garravão e meio bor dia. É uma bazina gue dá dando efeido gue adé tamos a penzar mudar o nome do tasgo para Infartinto. Avinal já tamos no Borto e bor izo num há risgo de sermos deslogados.


À Voza,

Zé ramadaz

segunda-feira, 4 de janeiro de 2021

É MEDIÁTICO


Se escreveres sobre o amor

Com a leveza de uma pluma

Fazem-te logo o favor

De não te ligarem nenhuma


O melhor é seres maroto

E agradar ao pessoal

Mete antes uma foto

De uma lady sensual


E se ainda assim não bastar

Não te for suficiente

Podes sempre publicar

O vídeo de um acidente


Também poderás fingir

Que estás muito emocionado

Sem te cansares de exigir

Mais desgraça ao desgraçado


Ou então podes mexer

Nos podres da vida alheia

É remédio, podes crer

Para engordares o pé de meia


Com o amor não percas tempo

O tempo agora é dinheiro

Não há tempo para o destempo

Que ser rico está primeiro

sexta-feira, 1 de janeiro de 2021

DUAS LÁGRIMAS DE ORVALHO


Por morrer uma andorinha não acaba a primavera mas hoje ficou sem cor. Lisboa já não é menina e moça, já se não vêem canoas no Tejo, o pregão só traz à porta tristeza e a estrela da tarde não voltará a brilhar. Chorai, chorai, poetas do meu país que o fado só se ouve nos gemidos das guitarras ou num silêncio sofrido dum verso do Ary. Os dias não passarão iguais aos dias que vão distantes e agora batem de dor tantos perfeitos corações.

Foi um homem na cidade

Que ao dizer adeus à vida 

Nos deixou o valor da liberdade

E nos deixou sós na despedida

DESEJO MUITA SAÚDE


Um ano não chega ao fim

Nem outro ano começa

Apenas um rio em mim

Nasceu e corre depressa


Leva-me na corrente

De um tempo que inventou

Nada diz que me oriente

E eu não sei para onde vou