- Ó amigo, ainda bai demorar muito a acavar a palestra? É cassim num cunsigo oubir quem é o próximo a sair do vig vrader.
segunda-feira, 8 de julho de 2013
DESCULPE, SIM?
- Ó amigo, ainda bai demorar muito a acavar a palestra? É cassim num cunsigo oubir quem é o próximo a sair do vig vrader.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
CATRAPAU (LO)
Era uma vez um menino mau
Que sonhava com um grande pilauUm dia o menino teve um tau
Foi ter com outro menino que tinha o maior pilau
E disse-lhe com ar de mau:
- Quero o teu pilau!
- O outro zangado agarrou-se a um varapau
Mas o menino mau não desarmou e subiu um degrau
- Ou me dás o teu pau ou xau
- O outro respondeu: - Tás é armado em carapau
Ainda apareceu um senhor que lhes pediu, com ar de calhau:
- Apertem lá o bacalhau
Mas os meninos continuaram agarrados ao pilau
Sem se importarem com o chimbalau
Os amigos aflitos a perderem cacau
Não gostaram da briga e deram-lhes tatau
E assim acabou a história com um coelho a fazer miau
Uau!
terça-feira, 2 de julho de 2013
PORTAS? ZÓ AS DO TASCO
Zaudazões binhateiras e bagaçais deste bosso
Manel Bezaina
quinta-feira, 30 de maio de 2013
ESPELHO TEU...
As palavras pareciam entrelaçadas numa fluência quase musical. Correu a dá-lo a ler ao primeiro homem que encontrou. Mas o homem virou-lhe as costas entretido a fotografar a sua cabeça gigantone de feira popular. A seguir foi ter com outro encostado a um varandim. Esse não tinha rosto, talvez para não beliscar a paisagem que lhe recortava a silhueta. Estonteante, pelos vistos, a paisagem. Não desistiu. Foi adiante mostrá-lo àquele e mais àquele e a mais a outro ainda, mas nenhum deles tinha tempo para ter rosto. E o homem parou. Percebeu que valia a pena dar a cara. Abeirou-se de um banco de jardim e ali o deixou. A seguir todos se acercaram. Para conhecerem o rosto. O rosto que afinal não tinham.
domingo, 28 de abril de 2013
CÃOVERSAS III
- Ó costa
- Diz, cão
- Achas que os nossos bigodes nos dão uma imagem de credibilidade?
- Claro, porquê?
- Não seria melhor passarmos a usar pêra?
- Pêra, cão?
- À isaltino, costa
- Grisalha e aparada para dar pose de estado?
- E com suíças fartas
- Tás a referir-te às patilhas?
- Não, tou a referir-me às contas bancárias
- Ó costa
- Diz, cão
- O que é a promiscuidade?
- É o ferreira do amaral, o jorge coelho e o valente de oliveira
- Esses foram todos ministros das obras públicas, não foram?
- Foram, mas agora estão no privado
- Qual privado?
- O que eles beneficiaram à grande enquanto foram ministros
- Ó costa, mas isso não se chama promiscuidade
- Então?
- É parcerias público privadas, não é?
- Ó costa
- Diz, cão
- Achas que isto está assim tão mau?
- Eu acho e tu?
- Eu também, costa
- Então qual é a dúvida?
- Se está assim tão mau...
- Sim, cão?
- Por que é que vejo mais gente contra os roubos dos árbitros do que contra os roubos do governo?
- Diz, cão
- Achas que isto está assim tão mau?
- Eu acho e tu?
- Eu também, costa
- Então qual é a dúvida?
- Se está assim tão mau...
- Sim, cão?
- Por que é que vejo mais gente contra os roubos dos árbitros do que contra os roubos do governo?
- Ó costa
- Diz, cão
- O que é a bipolaridade?
- É ter praias com bandeira azul no Verão, transformadas em entulheiras no Inverno
- Achas?
- Ou rebaixar passeios para facilitar o acesso dos deficientes e dos peões e depois permitir que os carros estacionem em cima deles
- Ai, sim?
- Ou gastar milhões a recuperar património público e a seguir deixá-lo ao abandono
- Ó costa, mas isso não é bipolaridade
- Então?
- É gestão moderna, não é?
- Diz, cão
- O que é a bipolaridade?
- É ter praias com bandeira azul no Verão, transformadas em entulheiras no Inverno
- Achas?
- Ou rebaixar passeios para facilitar o acesso dos deficientes e dos peões e depois permitir que os carros estacionem em cima deles
- Ai, sim?
- Ou gastar milhões a recuperar património público e a seguir deixá-lo ao abandono
- Ó costa, mas isso não é bipolaridade
- Então?
- É gestão moderna, não é?
- Ó costa
- Sim, cão
- Gostava de ser um cão de marca
- Com o teu aspecto era perigoso
- Porquê, costa?
- Iam pensar que eras de contrafacção
- Tantos que há por aí e logo tinha de me sair um dono rafeiro
- Ó costa
- Diz, cão
- Tenho uma sensação esquisita
- Qual é?
- Acho que anda alguém por trás de nós a controlar o que dizemos
- Não é possível, agora há liberdade de expressão
- Pelo sim pelo não é mhelhor ter cuidado, costa
- Ó cão não me digas que tás a ficar com falta de to matos?
- Sim, cão
- Gostava de ser um cão de marca
- Com o teu aspecto era perigoso
- Porquê, costa?
- Iam pensar que eras de contrafacção
- Tantos que há por aí e logo tinha de me sair um dono rafeiro
- Ó costa
- Diz, cão
- Tenho uma sensação esquisita
- Qual é?
- Acho que anda alguém por trás de nós a controlar o que dizemos
- Não é possível, agora há liberdade de expressão
- Pelo sim pelo não é mhelhor ter cuidado, costa
- Ó cão não me digas que tás a ficar com falta de to matos?
domingo, 21 de abril de 2013
AXA OU NÃO AXA?
- Isto está super giro!
- E cheio de pessoas bonitas!
- Pipo, eu bem lhe disse que valia a pena vir à inauguração
- Ó pipa, aprecie esta peça fantástica
- Qual?
- Esta, em vermelho flamejante, a simbolizar as vitórias da ferrari
- Pipo, isso é o extintor
- Ó pipa, está aqui outra giríssima
- Onde?
- Pendurada no tecto. Deve simbolizar pensamentos superiores
- Ó pipo, isso são os cabos eléctricos
- Ó pipa, não consigo perceber uma coisa
- Qual?
- Todo este pó, simboliza o quê?
- Simboliza o nevoeiro de que as consciências se vão libertando através da arte
- Pois....
- Ó pipo, venha ali ver um senhor a fazer uma performance na toilette
- Ó pipa, o senhor não está a fazer uma performance
- Então?
- Está a desentupir a sanita
- Ó nero, anda cá imediatamente! O estepor do bicho num pode ver umas obras que foge-me logo
- Ouviu pipo. Deixam entrar todo o cão e gato e depois dá nisto
- Pois, não têm cultura
- Bem faz o rui que não lhes dá nenhuma
- Claro, se não a têm para que precisam dela?
- Ó nando, diz ó tininho pá assentar. No terceiro há uma sala xeia de moedas koladas às paredes
- Ó fuskas, o tininho num save iskreber
- Então diz-le pa meter um lemvrete no tavlete
- Ó fuskas, axas ke bale a pena boltar ká per kausa dumas moedas. É ke num há mai nada
- Kala a veiça, nando, ké vem vom
- Vom foi kuando fomos ó kovre ó vatalha
- Tá vem, mas aki fikamos cum trokos pá arrumar
- Ó pipo, páre lá de tossir
- Ó pipa, é do nevoeiro das consciências
- A inauguração esteve mesmo gira, não esteve?
- Esteve, pipa, mas agora era capaz de beber 2 litrinhos de água seguidos
- O rui é mesmo o máximo. E não tarda, pipo, temos as corridas da boavista
- Ó pipa, adoro corridas
- E eu adoro todo aquele movimento do paddock.
- O paddock é aquele capitão amigo do Tintim, não é pipa?
- Ó nero, desalça a perna do sinhor sigurança. O estepor mija em cima de quem lhe apetece. Olha que é preciso ter arte!
sábado, 20 de abril de 2013
ALIADOS DA PALMILHA
Grupos de adolescentes deambulam pelas ruas em transumância etílica. Levam garrafas nas mãos, que vão esvaziando enquanto soltam graçolas.
Na Praça de D. João I, um arrumador chama pelos automóveis, agitando os braços em cadência ritmada. Grita aos que descem para o parque que, ali, na superfície da praça, é mais barato. Tem preço em conta o arrumador. E bolsa a tiracolo para facilitar os trocos.
Mais abaixo, outro arrumador, estaciona quantos carros pode na zona de Sampaio Bruno. Em tempos, foi uma zona pedonal. Há muito que deixou de ser.
Não se vê um polícia.
O vento vai espalhando o lixo e o cheiro fétido a urina. Há grafitis em cima de grafitis. Há prédios a ruir.
A Avenida dos Aliados está às escuras. As luzes foram desligadas para realçar a inauguração do edifício AXA, que a câmara parece ter emprestado às artes. Para que não digam que não apoia a cultura. O acesso é condicionado e o povo, em fila indiana, vai entrando à medida da vontade dos seguranças. Lá dentro, obras por acabar, cabos eléctricos à vista, paredes partidas e muito pó. Que se pega à roupa de gente, muito chique.
Na Rua de Gonçalo Cristovão, alguns travestis exibem, vaidosos, os seus volumosos peitos, tão falsos como a revitalização da baixa.
No Salão Latino do Teatro Sá da Bandeira, uma pequena companhia de valentes leva à cena um excelente trabalho. Sem apoios, sem propaganda da câmara, mas com muito valor. Chama-se Palmilha Dentada.
Subscrever:
Mensagens (Atom)






