sábado, 20 de julho de 2013
SELVAGEM E PERIGOSO
- Cagarra, cagarra qué ladrão!
Gritou a ave das selvagens assim que o avistou
- Ó maria, tens a certeza?
- A certeza de quê, níbal?
- Que as cagarras não me vão cagarr?
- Ó maria, não gosto desta ilha
- Porquê, níbal?
- Não tem palmeiras, não tem bolo rei e o Sol...
- Que tem o Sol?
- Boliqueima...
- Ó níbal, eu não te disse?
- Não me disseste o quê, maria?
- Isto aqui é tão calmo que nem precisas de seguro
- Ó maria, afinal gosto disto
- Porquê, níbal?
- Não tem "cidadões"
- E "depões"?
- Não há manifestações
- Nem confusões
- "Pões"...
- Ó níbal?
- Que queres, maria?
- Faz de conta que és o Clark Gable e dá-me um beijo à artista
- Ó maria, sentes-te bem?
- Ó níbal, sinto-me selvagem
- Porra! Antes tivéssemos ido para Porto Santo.
SALIVAÇÃO NACIONAL
- Estimado cliente, em que lhe posso ser útil?
- Eu desejava a salvação
- Nacional ou internacional?
- Há salvação internacional?
- Há. Para os que emigram
- Mas a mim, convém-me ficar
- O estimado cliente pretende, então, a salvação nacional
- E acha que a posso alcançar?
- Com certeza. Que tipo de salvação deseja?
- Dava-me jeito uma com um cursito superior rápido, meia dúzia de pessoas influentes que me ponham num cargo governativo jeitoso, onde possa ajudar essas pessoas influentes mais uns amigos que eu tenho
- Estimado cliente, essa é uma salvação perfeita
- Acha?
- E recupera o investimento que vai fazer num instante
- Como?
- Com os lucros da austeridade que lhes vai impor
- Eles aceitarão ainda mais austeridade?
- Claro. Desde que lhes façamos ver que é para a "sua" salvação
- "Sua" deles ou "sua" minha?
- "Sua" sua, à custa deles
- E se voltar a não resultar?
- Aí, o estimado cliente vai bater à porta dos amigos que ajudou enquanto esteve no governo. Costumam ser muito generosos.
- Ora, é isso mesmo. E quanto me custa essa salvação?
- Tenho de lhe confessar que é cara
- Cara?
- Dada a complexidade da sua implementação
- Qual complexidade?
- Acha que é fácil convencê-los de que os que os enterraram antes são agora os que os vão salvar?
quarta-feira, 17 de julho de 2013
ABRAM COMPORTAS
Ó portas que não te importas
Com a tua reputação
Tu sabes bem como entortas
Esta já torta nação
E há quem te siga os passos
No teu jeito alternadeiro
Disfarçando os embaraços
Para se manter no poleiro
Mas olha que neste mundo
Ainda há gente com tino
Que te vai mandar para o fundo
Atado a um submarino
segunda-feira, 8 de julho de 2013
DESCULPE, SIM?
- Ó amigo, ainda bai demorar muito a acavar a palestra? É cassim num cunsigo oubir quem é o próximo a sair do vig vrader.
sexta-feira, 5 de julho de 2013
CATRAPAU (LO)
Era uma vez um menino mau
Que sonhava com um grande pilauUm dia o menino teve um tau
Foi ter com outro menino que tinha o maior pilau
E disse-lhe com ar de mau:
- Quero o teu pilau!
- O outro zangado agarrou-se a um varapau
Mas o menino mau não desarmou e subiu um degrau
- Ou me dás o teu pau ou xau
- O outro respondeu: - Tás é armado em carapau
Ainda apareceu um senhor que lhes pediu, com ar de calhau:
- Apertem lá o bacalhau
Mas os meninos continuaram agarrados ao pilau
Sem se importarem com o chimbalau
Os amigos aflitos a perderem cacau
Não gostaram da briga e deram-lhes tatau
E assim acabou a história com um coelho a fazer miau
Uau!
terça-feira, 2 de julho de 2013
PORTAS? ZÓ AS DO TASCO
Zaudazões binhateiras e bagaçais deste bosso
Manel Bezaina
quinta-feira, 30 de maio de 2013
ESPELHO TEU...
As palavras pareciam entrelaçadas numa fluência quase musical. Correu a dá-lo a ler ao primeiro homem que encontrou. Mas o homem virou-lhe as costas entretido a fotografar a sua cabeça gigantone de feira popular. A seguir foi ter com outro encostado a um varandim. Esse não tinha rosto, talvez para não beliscar a paisagem que lhe recortava a silhueta. Estonteante, pelos vistos, a paisagem. Não desistiu. Foi adiante mostrá-lo àquele e mais àquele e a mais a outro ainda, mas nenhum deles tinha tempo para ter rosto. E o homem parou. Percebeu que valia a pena dar a cara. Abeirou-se de um banco de jardim e ali o deixou. A seguir todos se acercaram. Para conhecerem o rosto. O rosto que afinal não tinham.
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