sábado, 16 de março de 2013
O CAMINHO FAZ-SE CAMINHANDO...
- Desculpe, pode indicar-me o bom caminho?
- Claro. O meu amigo desce já por aqui abaixo. Passa por parcerias público-privadas, por jobs for de boys, por negociatas obscuras e continua a descer. A seguir corta tudo à direita e vai por aumento de impostos até carga fiscal brutal. Aí chegado, passa por insensibilidade social, dirige-se para desemprego descontrolado e, sempre pela direita, desce até défice orçamental.
- Tem a certeza que é esse o bom caminho?
- Absoluta, meu amigo. A seguir desce para quebra das exportações, passa por falta de investimento e continua a descer até lhe aparecer dívida pública a perder de vista. Mantém-se pela direita em direcção a recessão. Quando vir um grupo imenso de jovens sem futuro, toma a direcção de miséria, passa por falta de esperança até chegar ao desespero. Aí vai encontrar o meu amigo gaspar que lhe indica o resto do bom caminho
- E quando ai chegar, já estou perto?
- Não, meu amigo, ainda lhe falta um bom bocado
- Então, onde é que esse bom caminho termina?
- No nó do enforcado, já ouviu falar?
sexta-feira, 15 de março de 2013
SAI DA FRENTE Ó...
- Sigurança rodobiária? Bai no Vatalha
- Num há cibismo
- Nem cibismo, nem com ciência cíbica
- Dissestes vem
- E digo-te mais
- O quê?
- O provelema dos acidentes consiste em conduzir sem experiência. As pessoas só pego no carro em caso de se deslocar provisoriamente no domingo para ir à missa, ou ir tratar um documento oficial
- E num é só isso
- Então?
- É eles andar a cumprar carros cum 6 belocidades, coisa que num se justifica, proque o motor não faz oficio de trabão e as pessoas gosto de ingatar a quinta quando é preciso a segunda, pa poupar
- E o perigo ainda é maior deribado aos criminosos que ando na estrada
- Nem é vom pensar
- Aqui há atrasado, ia eu sossegado da bida na auto estrada e num é que se me aparece um na faixa da esquerda a 120?
- Parece em possíbel! E que fizestes?
- Dei-le logo máximos, mas num saiu
- E tu?
- Tibe de destrocer tudo pá direita
- E comesteze-o?
- Não, na faixa da direita ia outro a 100
- É uma bergonha. E depois?
- Reduzi pa 180, saquei uma faniqueira e fiz uma piasca
- E num vatestes?
- Não. Foi deus
- Felizmente
- Lá está, num há cibismo
- Nem com ciência cíbica...
terça-feira, 12 de março de 2013
GANDULO
O quê? Ah, pois...então...vamos cantar todos... não é?
Grândola vila moreeeeeena
Enterra a fraternidaaaaaaade
O povo é quem mais peeeeeeena
Dentro desta insanidaaaaade
Em cada esquina o inimiiiiigo
Com todo o gosto e vontaaaaade
Graaaande pila moreeeeena
Meter-me na cavidaaaaaade
Há sombra de polinheeeeiiira
Que eles dão sem piedaaaaaaade
Se não vou já na carreeeeiiiira
Fico sem a virgindaaaaaaade
segunda-feira, 11 de março de 2013
O PERIGO VEM DO ABRIGO
Portugueses:
É chegado o momento de nos indignarmos contra a ganância que nos destrói o futuro, contra a injustiça e a desigualdade que nos exclui, contra a caminhada para o abismo. É hora de dizermos basta, mas de o dizermos a uma só voz. Por isso, anunciamos hoje a criação da associação nacional dos sem abrigo indignados. Precisamos de nos devolver a esperança. Precisamos de acabar com o nosso sofrimento. Precisamos de recuperar o que nos tiraram. Amigo, se já não tens abrigo, indigna-te e junta a tua à nossa indignação. Vem partilhar os teus ideais de liberdade e de justiça social com todos aqueles que querem uma vida melhor. Juntos ganharemos. E muito acima da média.
Estamos a preparar uma acção conjunta de luta com a associação dos reformados indignados, liderada pelo senhor doutor filipe pinhal, também ele um grande filho da luta. Os slogans escolhidos são os seguintes:
Não queremos mais castigo, queremos o nosso abrigo
Que apareça um bom abrigo, que nós chamamos-lhe um figo
Reformado abastado não serve para ser gamado
Nada como a indignação para ajudar à digestão
Sem abrigo, contamos contigo.
Os membros da comissão organizadora agradecem e subscrevem-se,
oliveira e costa
jardim gonçalves
joão rendeiro
duarte lima
dias loureiro
arlindo de carvalho
armando vara
quinta-feira, 7 de março de 2013
WALKING DEAD
Era contestatário, perturbador, subversivo. Colocava em causa os princípios orientadores da organização. Dificultava sistematicamente o normal decurso dos trabalhos. E era uma influência negativa para os outros. Afastaram-no depois de lhe augurarem um lindo enterro. Reposta a ordem, todos voltaram a cavar a vala comum.
terça-feira, 12 de fevereiro de 2013
ATRASADO ENTRUDO
Não faltava nada. Desta vez planeara ao pormenor que já bastavam os esquecimentos passados. Lançou um olhar rápido para dentro do saco e conferiu o espumante, as passas e os desejos. Aliviado, sentou-se e aguardou com o pé direito preparado. Os ruídos de fundo iam e vinham num estranho corropio. Depois tornaram-se espaçados até desaparecerem. Esperou. O tempo fez-se espesso. E veio a chuva e o frio. Aguentou. Só quando se aproximou o corso carnavalesco percebeu. Esquecera-se do relógio.
BRAÇO FORTE, PERNA FRACA
Olhou a multidão em silêncio. A seguir ajoelhou-se e apertou o atacador da sapatilha como se a vitória estivesse na força daquele nó. Um velho gritou-lhe da bancada que ia ganhar. Que era o melhor. Não conhecia o velho nem sabia porque dissera aquilo. Sorriu-lhe desconfiado mas aquilo ficou. Colou-se aos blocos e baixou a cabeça em direcção às palavras do velho. Ao tiro de partida voou para meta levado por elas. Só voltou a sentir o chão quando percebeu que ficara em último. O velho enganara-o. Procurou-o com o olhar mas nada. Meses depois foi-lhe atribuída a vitória. Todos os outros estavam dopados. Anos mais tarde reencontrou o velho na pista. Dessa vez o velho disse-lhe que não ia ganhar. Que já não era o melhor. Devolveu ao velho um sorriso convencido e alguns alguns segundos depois alcançava a vitória. Na semana seguinte retiravam-lha. Os relatórios das análises foram implacáveis.
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